sábado, 24 de abril de 2010

Nota de falecimento


Meu vídeo-game.
*2007 +2010

Andrade: O técnico do SPFC


Caro Juvenal Juvêncio,

Venho encarecidamente solicitar que Vsª demita o atual técnico, Ricardo Gomes, e o substitua pelo recém-desempregado Andrade. Tenho em vista que o RG é um mão-fraca, amarelão e que escala o Washington (só o RG e a mãe do W9 acham ele bom), medido está fundamentado, uma vez que o Sr. Andrade obteve um aproveitamento de 70% no comando de um time sem elenco. Imagina o que ele seria capaz de fazer no SP?
Parece que Vsª só contrata técnico retranqueiro! Será que não entra em vossa cabeça que ganha quem faz mais gols (taí o Santos pra provar isso)?
Sem mais, aguardo vossa atitude.
Atenciosamente,

Ildo

domingo, 18 de abril de 2010

O Soluço do Dragão


A inflação (e principalmente as medidas adotadas para o seu combate), norteou as pautas de discussão dos economistas brasileiros das décadas de 1980 e 1990. Em um período de 15 anos o Brasil apresentou uma inflação acumulada de 20,7 trilhões percentuais. Após inúmeras tentativas frustradas de combate à elevação desenfreada dos preços, que vão desde o congelamento dos preços, como plano cruzado, até o seqüestro de liquidez, como fez o presidente Collor em seus dois planos, a estabilização dos preços foi alcançada com o plano real, que utilizou a anteriormente ignorada proposta dos economistas Persio Arida e André Lara Resende.

As políticas econômicas brasileiras não tinham como ter olhos para outros assuntos que não a estabilização dos preços. Os anos 80 ficaram conhecidos como “a década perdida”. A primeira metade dos anos 90 também pode receber semelhante rotulação. Foi um período muito traumático para os brasileiros, principalmente para a população de baixa renda, esmagadora maioria do país.

A contrapartida para a manutenção da estabilização foi a imposição de juros estratosféricos em nossa economia. Deixamos de ser recordistas em inflação para tornarmos campeões em juros. Segundo a visão de nossas autoridades econômicas, um trade-off justo.

Eu tinha a impressão que havíamos superado o trauma da inflação. Porém, com os recentes dados do IPCA e a expectativa inflacionária (que é um fator importante para a elevação da inflação), me fizeram cair na real e concluir que este monstro ainda nos assusta.

Muitos economistas acreditam que a inflação é uma espécie de calor dissipado do funcionamento de um motor. Ou seja, se tivermos uma economia aquecida, com os agentes realizando constantes trocas, necessariamente teremos elevação inflacionária. Com esse pensamento, a atual recuperação do Brasil representa um risco inflacionário.

O Brasil acumula de janeiro a março de 2010 uma inflação de 2,06%, um número muito acima do apresentado em 2009, 1,23%. Há quase um consenso que o IPCA ficará acima da meta do Banco Central de 4,5% em 2010. Esses números certamente farão o Comitê de Política Monetária, o COPOM, lançar mão do seu método de controle inflacionário: a taxa SELIC, que vem em uma trajetória de queda e deve começar a subir.

A manutenção da taxa SELIC em 8,75% a.a na última reunião contou com 5 votos a favor e 3 contra (estes queriam uma elevação de 0,5% na taxa). Este é o sinal que certamente em sua próxima reunião no final de março, o COPOM deve elevar os juros para manter a inflação sobre controle.

O passado recente ainda rege muitas das ações das autoridades de política monetária. Ainda temos medo do dragão da inflação. É esperar a próxima reunião para conferir.

segunda-feira, 1 de março de 2010

O Mundo Precisa do Zé

Sei que a generalização não é uma característica positiva quando se trata de análise, no campo de qualquer ciência, principalmente das sociais. Palavras como “tudo” e “sempre” são expulsas do vocabulário dos aventureiros que se metem a analisar a sociedade. Contudo, há alguns elementos que sempre estiveram presentes em tudo quanto é forma de organização social humana mais complexa. Desde que se tem notícia do mundo, parte significante da sociedade possui o papel de trabalhar para o benefício de outrem, principalmente de forma braçal.

Na visão dos ocidentais, trabalhar utilizando a força física, ou habilidades físicas, ou qualquer ofício que não seja considerado intelectual é coisa de animais. Irônica sociedade a nossa: em sua essência gera o elemento que é desprezado. É impossível e inimaginável uma forma de organização dos seres humanos sem a presença dessa figura. Quem ergueria Atenas, os filósofos?

Toda sociedade precisa do bode expiatório de suas mazelas. Quem é a fonte das maldições, a explicação de todas as desgraças? Segundo a minúscula minoria que sempre brava e merecidamente desfruta dos benefícios da sociedade em que está inserida, é essa gigantesca maioria das pessoas que tornam o mundo um lugar horrível. Os filósofos odiavam os escravos; os patrícios, a plebe; a nobreza medieval e a igreja católica, os servos; e finalmente os {INSIRA AQUI O NOME QUE VOCÊ CONSIDERA ANÁLOGO PARA A CONTEMPORANEIDADE}, os indivíduos desqualificados profissionalmente. Afinal, quem é que lota as filas do SUS e do INSS? Quem possui filhos na escola que não conseguem tornarem-se alfabetizados?

A personificação perfeita dessa figura social é o Zé. Isso mesmo, você pensou no jardineiro da sua casa, no pedreiro que seu pai conhece, ou no motorista do ônibus que eventualmente você já tomou, né? Ninguém quer ser o Zé. Mas a esmagadora maioria dos indivíduos que convivem em sociedade o são.

Quando será que entenderemos que precisamos desse cara? Quem vai limpar a sugeira, executar o que planejaram? Difícil admitir que se depende de alguém, não? Tudo isso de que nos gabamos seria inviável num mundo apenas com planejadores, controladores, avaliadores.

Fico pensando no dia em que o sindicato dos lixeiros resolver cruzar os braços e exigir atenção... Deve ser por isso que a instrução nunca foi universalizada.

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Aprendizados com o Projeto Rondon

O Projeto Rondon é uma ação do governo federal, coordenada pelo Ministério da Defesa, que tem por fim viabilizar a participação do estudante universitário nos processos de desenvolvimento local sustentável e de fortalecimento da cidadania. As instituições de ensino superior elaboram um projeto e o aplicam nas cidades contempladas com a visita do Rondon, em geral de grande carência de oportunidades para a população.

Eu tive a grande honra de participar da operação centro-nordeste, realizada na segunda quinzena de janeiro, desenvolvendo os trabalhos na cidade de Porto Real do Colégio – AL. Localizada às margens do rio São Francisco, na divisa com o Sergipe, esta pequena cidade abriga uma população extremamente acolhedora e alegre.

Foi uma grande oportunidade para adquirir uma noção do que de fato é o Brasil e o que esse imenso território abriga em seu interior. Com a mania de homogeneizar, típica do ocidental, imagina-se que o Nordeste brasileiro seja uma terra castigada, de gente triste. Porém o que foi presenciado foi um povo feliz, com um modo de vida diverso do que se vê no Sudeste.

Essas pessoas, privilegiadas com as águas do Velho Chico, quase em sua totalidade desprovidos de recursos financeiros, nos mostraram que as relações humanas ainda podem ser permeadas por sentimentos sinceros. Fui para ensinar, de repente aprendi. Nada como constatar na prática que o aprendizado é uma relação de troca.

Como é possível conhecer uma pessoa e no mesmo dia já fazer amizade com ela? A pureza de sentimento desse povo me encantou. Que gente tão especial. A explosão de vida das crianças; a honestidade dos homens; a formosura das mulheres; o olhar sábio dos idosos. Nem tudo que é importante nessa vida se aprende na sala de aula. É preciso vivenciar alguns aprendizados.

O Projeto Rondon é uma oportunidade incrível para a prática da extensão universitária. O ensino e a pesquisa podem ser realizados dentro dos muros da universidade. Porém a perna da extensão exige a interação com a comunidade, o que é necessário. Afinal, que paga pela universidade (pelo menos as públicas) é a população em geral e esta merece o retorno de seu investimento.

Posso dizer que voltei do Alagoas uma pessoa melhor, com alguns valores incrementados. Fico muito feliz em constatar que sentimentos verdadeiros ainda são possíveis nas relações humanas.


sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Futebol e Pátria

Poucos países sofreram com regimes totalitaristas como a Ucrânia no século XX. Por falta de um, o país localizado no leste europeu foi flagelado por dois regimes totalitários: o stalinista, da União Soviética, e o nazista.

Em 1922, incorporada à União Soviética, o país conheceu os horrores da ditadura de Stalin. Menos de 20 anos depois, em 1941, não satisfeitas com o sofrimento do povo ucraniano, as forças nazistas ocuparam o país, ignorando o tratado de não-agressão assinado com os então “proprietários” do país.

O povo então pensou: - já estamos no inferno com Stalin, a coisa não vai piorar com esse hemo do Hitler...

Ledo engano. Grande parte (senão a maioria) da população ucraniana acabou aprisionada, escravizada e enviada para a morte nos campos de concentração nazistas.

Com a 2ª Guerra Mundial em curso, as copas do mundo que seriam disputadas em 1942 e 1946 (que provavelmente consagraria o Brasil campeão de pelo menos uma delas) tiveram de ser canceladas. Em 1942, para promover uma impressão de normalidade e conquistar o apoio de parte da população ocupada, as autoridades nazistas permitiram a organização de um campeonato de futebol na Ucrânia.

Na disputa desse campeonato, o Dínamo de Kiev, um time formado por funcionários de uma padaria, rebatizado de Start, atropelou os adversários em todas as partidas. Ganhando de times ucranianos e de demais territórios ocupados, estes padeiros não chamaram a atenção dos nazistas. Porém, quando o Dínamo meteu 6x0 no PGS, um time de uma unidade militar alemã e posteriormente, 5x1 no Flakelf, formado por membros do Luftwaffe, a força aérea alemã, os nazistas não acreditaram.

Como pode um time de uma subraça, subnutridos, vencer a raça superior alemã, muito bem alimentada inclusive? Os alemães marcaram uma revanche 3 dias depois do último jogo. No vestiário, os ucranianos receberam uma carta com o aviso:

- Se ganharem, morrem.

Também lhes foi dada a instrução de cumprimentar os adversários no início do jogo com a saudação nazista “Heil Hitler!”. Num ato de ódio com rebeldia, os jogadores do Dínamo fizeram uma saudação gritando “Fizsculthura!”, uma mistura de Fitzcultura (cultura física) com “Hurrah”, que significa “vida longa ao esporte”.

Mesmo com o imparcial árbitro ignorando TODAS as faltas cometidas pelos alemães e marcar TODAS as supostas faltas cometidas pelos ucranianos, o Dínamo, tremendo de medo e de fome, não puderam agüentar a vontade de ser dignos e venceram por 5x3.

Para os torcedores que lotaram o estádio, aquilo foi um ato de resistência, um exemplo. Os jogadores foram torturados e fuzilados com a camisa do time. Um monumento foi erguido em homenagem a estes jogadores.